O juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da 3ª Vara Cível e Acidente de Trabalho, adiou mais uma vez a audiência na qual ouviria testemunhas envolvidas no processo movido pela médica Maria Soraia Elias Pereira contra o jornal Diário do Amazonas. A médica pede R$ 1 milhão de indenização por dano moral. A audiência estava marcada para ontem e seria ouvida a principal testemunha do jornal, o prefeito de Manaus, Serafim Correa, que não compareceu.No seu despacho, o juiz justifica o adiamento em razão de não ter havido tempo hábil para expedir as intimações necessárias as demais testemunhas “devido ao acúmulo de serviço na Secretaria desta Vara Cível”. (Veja post abaixo)Mas estendeu ao prefeito o beneficio do artigo 411 do Código de Processo Civil, que prevê que “são inquiridos na residência, ou onde exercem a função, autoridades como o presidente da republica, os ministros, senadores, deputados estaduais, governadores”, mas não prefeitos..Ao estender o privilégio a Serafim, que é parte na ação, porque a reportagem que resultou na processo movido por Soraia abordava exatamente uma relação intima entre os dois, o juiz amplia por conta próprio o artigo 411 do Código de Processo Civil, o que é no mínimo estranho. Médica também processa Acritica e Em Tempo Os jornais aCritica e Amazonas em Tempo também são alvos de processos por dano moral movido pela médica Maria Soraia, um dos personagens da campanha eleitoral de 2004. Soraia foi manchete dos jornais ao revelar ter mantido um romance com o prefeito Serafim Correa, com quem teria tido um filho. Do Em Tempo ela quer R$ 1,5 milhão de indenização pelos danos morais e materiais que alega ter sofrido.Contra a Editora Calderaro, que edita o jornal a Crítica, Soraia move outro processo, no qual pede R$ 2 milhões de indenização por dano moral.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
sábado, 12 de janeiro de 2008
Preciso "de", não!
"Preciso de falar uma coisa urgente com o meu gerente". Incrível, mas muita gente ainda comete esse erro imperdoável de português. Só usamos a preposição "de" após o verbo precisar quando o complemento verbal é um substantivo ou pronome. Por exemplo: "Preciso de dinheiro"; "Preciso de você". Quando o complemento é um verbo no infinitivo, a preposição não é utilizada. "Preciso falar uma coisa urgente com o meu gerente"; "Preciso fazer algo"; "Preciso
pensar em uma solução para esse problema
Nunca diga "menas" nem "perca"
Alguns erros de português provocam estragos devastadores na imagem do profissional. Entre os mais graves estão o uso equivocado de duas palavrinhas que ainda confundem muita gente. Nunca, mas nunca mesmo, diga "menas" ou use "perca" como substantivo. Menas - Apague essa palavra de seu dicionário. "Menas" não existe.
O correto é "menos", mesmo que a palavra seguinte venha no feminino: menos escolas, menos pobreza, menos denúncias de corrupção.
Perca - Nunca utilize "perca" como substantivo, no sentido contrário de "ganho". O certo é "perda": perda de material, perda de poder aquisitivo, perda de memória. "Perca" é verbo (sentido contrário de encontrar): não se perca de mim, não perca credibilidade falando errado
Chego ou chegado?
Esta consulta veio de longe
Esta consulta veio de longe. Alba Valéria, frentista no Rio de Janeiro, escreveu: “Gostaria de saber se a frase está incorreta, e caso esteja, qual é a forma correta: Eu acho que ele já havia chego.”O certo, de acordo com as regras é: Eu acho que ele já havia chegado. O particípio regular dos verbos caracteriza-se pela desinência –do: aceitar – aceitado, entregar - entregado, pagar – pagado, expressar – expressado, acender – acendido, eleger – elegido, pegar – pegado, chegar – chegado.Ao lado da forma regular, alguns verbos apresentam formas irregulares: aceitado – aceito, entregado – entregue, pagado – pago, expressado – expresso, acendido – aceso, elegido – eleito, pegado - pego.Pega é um deverbal formado pela diminuição do verbo pegar, assim como chega é um deverbal formado pela diminuição do verbo pegar. A diferença entre os dois é que podemos usar a forma irregular pega como em “ela foi pega com a boca na botija”; chega/chego não devem ser usados como particípio do verbo chegar. Quando empregar chegoCom chega, chego, não posso dar exemplos de uso de particípio. Posso apenas fazer frases como:- Chego a perder o horário por uma boa conversa. (presente do verbo chegar) - “Quando chego em casa nada me consola, você está sempre aflita ...” (presente do verbo chegar) - Chega, você já passou dos limites! (interjeição = basta) - Mereço um chega ( substantivo = uma repreensão, um pito ) por haver demorado tanto a explicar.Particípios regularesOs particípios regulares devem ser usados com os verbos ter e haver:- Havia aceitado o cafezinho, mas desapareceu. - Tinha entregado o presente antes de sofrer o acidente. - Os meninos tinham pegado catapora. - Ainda não tinham acendido a lareira. - Eu havia chegado à conclusão por mim mesma.Particípios irregularesOs particípios irregulares devem ser usados com os verbos ser e estar:Ele é aceito nas melhores universidades como verdadeiro. Está entregue a sua encomenda, Dona Júlia. Juliana foi pega furtando jabuticabas. O fogo já esteve aceso hoje.Hora do intervaloSaí para tomar um capuccino no café “Mamma Itália”. Tem bancos no balcão, mesinhas e cadeiras confortáveis, mas como eu estava cansada de ficar sentada, fiquei em pé ao lado do caixa. Uma moça bonita e bem vestida chegou e pediu:- “Dois pão de queijos.”Nos balcões das padarias também é comum ouvir:- “Cinco pão”, “Quatro filão”, “Dez pãozinho e dois leite”.A moça até pensou no plural, mas na palavra em que ela colocou o S, só se fosse um pão feito com mais de um tipo de queijo, à moda das pizzas de dois ou quatro queijos. A marca do plural deveria estar no substantivo pão. Se a jovem, além de ser bonita, falasse bonito, teria dito:- “Dois pães de queijo, por favor.”Mais de um filão: filões; dois litros ou duas caixas de leite, até mesmo dois leites.Bom feriado!
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
BARACK OBAMA

As últimas sondagens publicadas indicam claramente que Barack Obama muito provavelmente irá repetir a vitória do Iowa amanhã no New Hampshire. Depois de meses a fio no trilho de Hillary Clinton, o Senador do Illinois conseguiu vencer o Caucus do Iowa e abalar seriamente a candidatura da Senadora de Nova Iorque.
Mesmo que Barack Obama vença amanhã, como tudo indica, isto não significará que tem a nomeação garantida. Apesar de não haver sondagens recentes, Hillary Clinton tinha uma enorme vantagem nos grandes estados, como Nova Iorque, Califórnia, Nova Jersey, Florida. Mas, ao contrário de Rudy Giuliani, que sempre apontou a sua nomeação para estes estados, Hillary criou esperanças elevadas em vencer desde o inicio. As expectativas em política são fundamentais para delinear o rumo dos acontecimentos. A campanha de Hillary foi responsável pela criação do sentimento de inevitabilidade da sua candidatura.
As características do New Hampshire são bem diferentes do Iowa, onde a filiação partidária fazia a diferença. No “Granite State”, os independentes afluem em massa às urnas, sendo um estado bastante mais liberal que o conservador Iowa. Se Obama provar ao eleitorado democrata que consegue vencer em diferentes estados e cativar tanto os liberais, como os moderados e até alguns conservadores, o directório do Partido Democrata poderá abandonar Hillary Clinton. E estaremos a assistir a uma das maiores reviravoltas de sempre na política norte-americana.
Este crescimento de Obama não está a assustar apenas os apoiantes de Hillary Clinton. Os Republicanos defendem que Hillary Clinton seria o seu melhor adversário e preferiam obviamente a Senadora de Nova Iorque. Barack Obama poderá representar nestas eleições o que John Kennedy e Ronald Reagan representaram na sua época. E um adversário desta envergadura seria difícil de bater. Obama tem conseguido o apoio de muitos republicanos desiludidos com os seus candidatos. Numas eleições gerais, com um candidato republicano que não galvanize a sua base de apoio, Obama vencerá facilmente. E este é o medo de alguns analistas republicanos.
Mesmo que Barack Obama vença amanhã, como tudo indica, isto não significará que tem a nomeação garantida. Apesar de não haver sondagens recentes, Hillary Clinton tinha uma enorme vantagem nos grandes estados, como Nova Iorque, Califórnia, Nova Jersey, Florida. Mas, ao contrário de Rudy Giuliani, que sempre apontou a sua nomeação para estes estados, Hillary criou esperanças elevadas em vencer desde o inicio. As expectativas em política são fundamentais para delinear o rumo dos acontecimentos. A campanha de Hillary foi responsável pela criação do sentimento de inevitabilidade da sua candidatura.
As características do New Hampshire são bem diferentes do Iowa, onde a filiação partidária fazia a diferença. No “Granite State”, os independentes afluem em massa às urnas, sendo um estado bastante mais liberal que o conservador Iowa. Se Obama provar ao eleitorado democrata que consegue vencer em diferentes estados e cativar tanto os liberais, como os moderados e até alguns conservadores, o directório do Partido Democrata poderá abandonar Hillary Clinton. E estaremos a assistir a uma das maiores reviravoltas de sempre na política norte-americana.
Este crescimento de Obama não está a assustar apenas os apoiantes de Hillary Clinton. Os Republicanos defendem que Hillary Clinton seria o seu melhor adversário e preferiam obviamente a Senadora de Nova Iorque. Barack Obama poderá representar nestas eleições o que John Kennedy e Ronald Reagan representaram na sua época. E um adversário desta envergadura seria difícil de bater. Obama tem conseguido o apoio de muitos republicanos desiludidos com os seus candidatos. Numas eleições gerais, com um candidato republicano que não galvanize a sua base de apoio, Obama vencerá facilmente. E este é o medo de alguns analistas republicanos.
PRÉVIAS DE NEW HAMPSHIRE

As primeiras noticias que nos chegam do New Hampshire é que a afluência às urnas está a ser muito elevada. Existe mesmo alguma preocupação que os boletins de voto não cheguem em algumas cidades. Ao que parece, a afluência está a ser mais elevada do lado democrata, o que são más noticias para Hillary Clinton. No Iowa, a adesão em massa dos eleitores favoreceu Barack Obama.
As últimas 18 sondagens indicaram deram vantagem a Obama. Uma vitória de Hillary seria uma grande surpresa. No lado republicano, curiosamente, a indecisão parece ser maior, pois Mitt Romney surgiu em algumas à frente de Mccain.
As últimas 18 sondagens indicaram deram vantagem a Obama. Uma vitória de Hillary seria uma grande surpresa. No lado republicano, curiosamente, a indecisão parece ser maior, pois Mitt Romney surgiu em algumas à frente de Mccain.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Lei de Murphy
Um atalho é sempre a distância mais longa entre dois pontos.
A beleza está ? flor da pele, mas a feiúra vai até o osso!
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.
Tudo leva mais tempo do que todo o tempo que você tem disponível.
Se há possibilidade de várias coisas darem errado, todas darão - ou a que causar mais prejuízo.
Se você perceber que uma coisa pode dar errada de 4 maneiras e conseguir driblá-las, uma quinta surgirá do nada.
Seja qual for o resultado, haverá sempre alguém para:
a) interpretá-lo mal;
b) falsificá-lo;
c) dizer que já tinha previsto tudo em seu último relatório;
Quando um trabalho é mal feito, qualquer tentativa de melhorá-lo piora-o ainda mais.
Acontecimentos infelizes sempre ocorrem em série
Toda vez que se menciona alguma coisa: se é bom, acaba; se é mal, acontece.
Em qualquer fórmula, as constantes (especialmente as registradas nos manuais de engenharia) deverão ser consideradas variáveis.
As peças que exigem maior manutenção ficarão no local mais inacessível do aparelho
Se você tem alguma coisa há muito tempo, pode jogar fora. Se você joga fora alguma coisa que tem há muito tempo, vai precisar dela logo, logo…
O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.
Quando te ligam
a) se você tem caneta não tem papel
b) se tem papel não tem caneta
c) se tem ambos ninguém liga.
Não se chateie se a programação da TV lhe parece chata: amanhã será pior.
Entre dois acontecimentos prováveis, sempre acontece um improvável.
Quase tudo é mais fácil de enfiar do que de tirar.
Mesmo o objeto mais inanimado tem movimento suficiente para ficar na sua frente e provocar uma canelada.
Qualquer esforço para se agarrar um objeto em queda provocará mais destruição do que se deixássemos o objeto cair naturalmente.
A única falta que o juiz de futebol apita com absoluta certeza é aquela em que ele está absolutamente errado.
Por mais bem feito que seja o seu trabalho, o patrão sempre achará onde riscá-lo.
Nenhum patrão mantém um empregado que está certo o tempo todo.
Adiar é a forma mais perfeita de negar.
Quando político fala em corrupção, os verbos são sempre usados no passado.
Se você for esperar o motivo certo para fazer alguma coisa, nunca fará nada.
Os assuntos mais simples são aqueles que você não entende nada.
Dois monólogos não fazem um diálogo.
Se você é capaz de distinguir entre o bom e o mal conselho, você não precisa de conselho..
Para o bom executivo, todas as regras foram feitas para serem rompidas sempre que necessário.
Crie uma praga e ofereça-se imediatamente como o salvador da lavoura.
Nunca avise que a declaração que vai fazer é importante.
Toda a idéia revolucionária provoca três estágios:
a. ‘é impossível - não perca meu tempo.’
b. ‘é possível, mas não vale o esforço’
c. ‘eu sempre disse que era uma boa idéia’
A informação que obriga a uma mudança radical no projeto sempre chega ao projetista depois do trabalho terminado, executado e funcionando maravilhosamente (também conhecida como síndrome do: “P****! Mas só agora!!!”).
Um homem com um relógio sabe a hora certa. Um homem com dois relógios sabe apenas a média.
Só sabe a profundidade da poça quem cai nela.
Nada é impossível para quem não tem que fazer o trabalho.
Ciência exata é profetizar sobre o que já aconteceu.
Se há um trabalho difícil de ser feito, entregue-o a um preguiçoso. Ele descobrirá a maneira mais fácil de fazê-lo.
Quando se tem muito tempo para começar um trabalho, o primeiro esforço é mínimo. Quando o tempo se reduz a zero, o esforço beira as raias do infinito.
Nada jamais é executado dentro do prazo ou do orçamento.
As variáveis variam menos que as constantes.
Não é possível alcançar o total exato de qualquer soma com mais de dez parcelas depois das cinco horas da tarde de sexta feira. O total exato será encontrado facilmente as 8:01 da manhã de segunda feira.
Entregas de caminhão que normalmente levam um dia levarão cinco quando você depender da entrega.
Depois de acrescentar ao cronograma duas semanas paras atrasos imprevisíveis, acrescente mais duas para atrasos previsíveis.
Assim que tiver esgotado todas as suas possibilidades e confessado seu fracasso, haverá uma solução simples e óbvia, claramente visível a qualquer outro idiota.
Qualquer programa quando começa a funcionar já está obsoleto.
Qualquer upgrade custa mais e leva mais tempo para aprender.
Só quando um programa já está sendo usado há seis meses, é que se descobre um erro fundamental.
Depois da linguagem cibernética, a linguagem mais falada pelos programadores é a obscena.
A ferramenta quando cai no chão sempre rola para o canto mais inacessível do aposento. A caminho do canto, a ferramenta acerta primeiro o seu dedão.
Só um idiota tem talento típico para plagiar outro idiota.
Guia prático para a ciência moderna:
a. Se se mexe, pertence ? biologia.
b. Se fede, pertence ? química.
c. Se não funciona, pertence ? física.
d. Se ninguém entende, é matemática.
e. Se não faz sentido, é economia ou psicologia.
A diferença entre as leis de Murphy e as leis da natureza é que na natureza as coisas dão erradas sempre do mesmo jeito.
O número de exceções sempre ultrapassa o numero de regras. E há sempre exceções ? s exceções já estabelecidas.
Ninguém nunca está ouvindo, até você cometer um erro.
Qualquer coisa entre parênteses pode ser ignorada (com vantagem, como vê neste exemplo perfeitamente inútil).
Se o curso que você desejava fazer só tem n vagas, pode ter certeza de que você será o candidato n + 1 a tentar se matricular.
Oitenta por cento do exame final da sua prova da faculdade será baseada na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.
Cada professor parte do pressuposto de que você não tem mais o que fazer, senão estudar a matéria dele.
A citação mais valiosa para a sua redação será aquela em que você não consegue lembrar o nome do autor.
Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca.
A maioria dos trabalhos manual exige três mãos para serem executados.
As porcas que sobraram de um trabalho nunca se encaixam nos parafusos que também sobraram.
Quanto mais cuidadosamente você planejar um trabalho, maior será sua confusão mental quando algo der errado.
Os pontos de acesso a uma máquina serão sempre pequenos demais para a passagem das ferramentas, ou grandes para passagem delas, mas não suficiente para a passagem de sua mão quando elas caírem.
Em qualquer circuito eletrônico, o componente de vida mais curta será instalado no lugar de mais difícil acesso.
Qualquer desenho de circuito eletrônico deve conter pelo menos: uma peça obsoleta, duas impossíveis de encontrar, e três ainda sendo testadas (por você, é claro).
Na última hora o engenheiro industrial mudará os desenhos originais para incluir novos defeitos. E as modificações não serão mencionadas no manual de instruções, já impresso.
O tempo para executar uma tarefa é 3 vezes superior ao tempo inicialmente previsto. Se, ao calcular a duração da tarefa, multiplicarmos por 3 o tempo previsto de modo a obter o resultado correto, nesse caso, a tarefa demorará 9 vezes esse tempo.
Uma gravata limpa sempre atrai a sopa do dia.
Se está escrito “Tamanho único”, é porque não serve em ninguém.
Se o sapato serve, é feio!
Nunca há horas suficientes em um dia, mas sempre há muitos dias antes do sábado.
Todo corpo mergulhado numa banheira faz tocar o telefone.
Se alguma coisa pode dar errada, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.
A informação mais necessária é sempre a menos disponível.
A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.
Gato sempre cai em pé. Não adianta amarrar o pão com manteiga nas costas do gato e o jogar no carpete. Provavelmente o gato comerá o pão antes de cair… em pé.
A fila do lado sempre anda mais rápida.
As coisas podem piorar, você é que não tem imaginação.
O material é danificado segundo a proporção direta do seu valor.
Se você está se sentindo bem, não se preocupe. Isso passa.
Lei de Murphy no ciclismo: não importa para onde você vai; é sempre morro acima e contra o vento.
Por mais tomadas que se tenham em casa, os móveis estão sempre na frente.
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda, e o que não sai.
Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral ou engorda.
Por que será que números errados nunca estão ocupados?
Mas você nunca vai usar todo esse espaço de Winchester!
Se você não está confuso, não está prestando atenção.
Na guerra, o inimigo ataca em duas ocasiões: quando ele está preparado, e quando você não está.
Lei de Murphy na escola: se for prova com consulta, você esquecerá seu livro; se for lição de casa, esquecerá onde mora.
Amigos vêm e se vão, inimigos se acumulam.
A Lei de Murphy é algo transcendente. Lavar o seu carro para fazer com que chova não funciona.
Um documento importante irá demonstrar sua importância quando, espontaneamente, ele se mover do lugar que você o deixou para o lugar onde você não irá encontrá-lo.
As crianças são incríveis. Em geral, elas repetem palavra por palavra aquilo que você não deveria ter dito.
Uma maneira de se parar um cavalo de corrida é apostar nele.
Toda partícula que voa sempre encontra um olho.
Sorria! Amanhã será pior.
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Lisa

O tempo passou! lembro dela quando chegou em casa nos braços da mamãe, barrigudinha, de olhos esbugalhados e lábios carnudos, observa a todos e todos queriam ficar com ela nos braços, pois ela era a caçula, era uma briga entre os irmãos, aquela carinha linda e infantil encantou e deu novo brilho a nossa casa, foram muitas peias na Ângela, em mim e no Eraldo, pois éramos os mais novos depois dela, os mais velhos (Dila, Rosa e Silva) tinham mais cuidado com ela. Lembro-me quando a bina (bobina de máquina) a derrubou da rede depois de longo embalo, ela caiu de cara no chão, todos ficaram com medo da surra tradicional, e quando a mamãe soube foi só péia nesses muleques.
Nós a víamos crescendo em meio a muitos problemas domesticos, ela nasceu numa época não muito boa, pois uma casa com muita gente realmente gera muitos atritos, contudo La no fundo de meu coração sentia-me feliz e agradecido a Deus pela família que nos deu, e ela sempre foi parte importante de minha vida.
A vi dando os primeiros passos, caindo e levantando várias vezes, mas quando fazia cocô eu ficava de longe a mamãe fazendo a limpeza. Fiz alguns brinquedos pra ela brincar, não tinha dinheiro, mas tinha vontade de vê-la sorrindo, por isso passava horas procurando coisas pra inventar algum brinquedo novo. Lembro-me de uma boneca feita com um pedaço do sofá velho e quebrado, tava todo rasgado e cheio de farelo de madeira no interior, e era muito pesado, só dava pra deixar o boneco no chão e mover os braços de madeira pra lá e pra cá.
Uma vez, quando nossa casa ainda era de madeira, desci e fui lá no porão procurar alguma objeto pra ela brincar, mas não achei nada de interessante, contudo sentei-me e fiquei pensando como eu gostava de está com ela. Lembro-me dela andando pelo beco só de calcinha observando o sobe e desce das pessoas, fiquei um bom tempo de olho nela pra ela não ir pra longe.
Ela foi crescendo, mas eu não estava mais aqui, fui estudar fora e perdi preciosos momentos ao lado dela, mas sei que ficou com pessoas que a amavam, sem contudo saber como expressar esse amor.
Quando dei por mim, nossa mãe se foi, e de uma tacada só ela também se foi perambular por esse mundo de meu Deus, na busca de seu caminho, casou-se e separou-se, teve uma linda filha e hoje encontrou um novo caminho pra seguir com um novo companheiro, uma nova vida, um novo recomeço, pois nunca é tarde pra recomeçar.
E no dia 24 de novembro ela fará 34 anos, mas ainda a vejo como aquele bebezinho que um dia chegou pra fazer nossas vidas mais felizes.
Parabéns pelo seu dia minha irmã, que Deus conceda-lhe todos os desejos de seu coração, e que nos presentei com sua existência por mais um longo e feliz tempo.
De seu irmão Edmilson Lucena dos Santos Jr, que tem o nome de seu pai, e o amor por você de nossa mãe!!!
Nós a víamos crescendo em meio a muitos problemas domesticos, ela nasceu numa época não muito boa, pois uma casa com muita gente realmente gera muitos atritos, contudo La no fundo de meu coração sentia-me feliz e agradecido a Deus pela família que nos deu, e ela sempre foi parte importante de minha vida.
A vi dando os primeiros passos, caindo e levantando várias vezes, mas quando fazia cocô eu ficava de longe a mamãe fazendo a limpeza. Fiz alguns brinquedos pra ela brincar, não tinha dinheiro, mas tinha vontade de vê-la sorrindo, por isso passava horas procurando coisas pra inventar algum brinquedo novo. Lembro-me de uma boneca feita com um pedaço do sofá velho e quebrado, tava todo rasgado e cheio de farelo de madeira no interior, e era muito pesado, só dava pra deixar o boneco no chão e mover os braços de madeira pra lá e pra cá.
Uma vez, quando nossa casa ainda era de madeira, desci e fui lá no porão procurar alguma objeto pra ela brincar, mas não achei nada de interessante, contudo sentei-me e fiquei pensando como eu gostava de está com ela. Lembro-me dela andando pelo beco só de calcinha observando o sobe e desce das pessoas, fiquei um bom tempo de olho nela pra ela não ir pra longe.
Ela foi crescendo, mas eu não estava mais aqui, fui estudar fora e perdi preciosos momentos ao lado dela, mas sei que ficou com pessoas que a amavam, sem contudo saber como expressar esse amor.
Quando dei por mim, nossa mãe se foi, e de uma tacada só ela também se foi perambular por esse mundo de meu Deus, na busca de seu caminho, casou-se e separou-se, teve uma linda filha e hoje encontrou um novo caminho pra seguir com um novo companheiro, uma nova vida, um novo recomeço, pois nunca é tarde pra recomeçar.
E no dia 24 de novembro ela fará 34 anos, mas ainda a vejo como aquele bebezinho que um dia chegou pra fazer nossas vidas mais felizes.
Parabéns pelo seu dia minha irmã, que Deus conceda-lhe todos os desejos de seu coração, e que nos presentei com sua existência por mais um longo e feliz tempo.
De seu irmão Edmilson Lucena dos Santos Jr, que tem o nome de seu pai, e o amor por você de nossa mãe!!!
sexta-feira, 16 de novembro de 2007
PIADAS
Resposta Precisa
Na sala de aula, o professor pergunta à garota:
- Dorotéia, você sabe com quantos paus se faz uma canoa?
- Bom, canoa eu não sei, mas tenho uma amiga que com um só, conseguiu apartamento, casa e carro importado!
Se Acabando na Bala
Dois amigos se encontram:
— Cara, você não sabe...
— Não sei mesmo! Você ainda não me contou!
— Eu tava lá na vila... E a molecada se atacou na bala!
— Na bala? Mas por que isso?
— É que acabou o chiclete!
Segredos
Três amigos saem de noite e, depois de muitas rodadas de bebida, um deles sugere que cada um conte algo que nunca contou para ninguém.
— Tudo bem - diz o primeiro -, eu nunca contei pra ninguém que sou homossexual.
O segundo confessa:
— Eu estou tendo um caso quentíssimo com a mulher do meu chefe.
— Bom - começa o terceiro -, eu não sei como dizer isso...
— Ah, não fique sem jeito - encorajam os amigos.
— Bem... eu não consigo guardar segredos.
Só Menti Três Vezes
Na minha vida toda eu só menti 3 vezes! — garantiu o sujeito a uma garota, no bar.
Minutos depois, um amigo, que tinha ouvido, se encontra com ele no banheiro e pergunta:
— Adolfo! É verdade que você só mentiu 3 vezes na vida, cara?
— Com essa maluquice que eu falei agora a pouco, são quatro!
Sonhos Estranhos
Um cara contava o seu sonho para um amigo:
- Seguinte, Luís... Era o dia do meu aniversário e eu estava fazendo 13 anos. Procurei a minha mãe e pedi o meu presente. Ela sorriu, me deu um dinheiro e disse para eu ir ao parque de diversões e eu fui mesmo.
- Gozado, também tive um sonho estranho. Eu estava dormindo quando uma loiraça e uma morenona me acordaram fazendo as maiores carícias e eu não sabia o que fazer com as duas ao mesmo tempo.
- Ué, por que não me chamou?
- Cara, eu chamei! Eu telefonei, mas sua mãe disse que você tinha ido ao parque de diversões.
Sou da Paz
Um amigo conta ao outro:
— Estou com 50 anos e não tenho nenhum inimigo vivo.
— Nossa! — exclama o amigo — E como você conseguiu isso?
— Matei todos!
Transando com Todas
Dois homens bebem num bar:
- Nunca transei com minha mulher antes do casamento. E você?
- Não me lembro... Qual é mesmo o nome dela?
Três Amigos
Aqueles três amigos tinham acabado de chegar na cidade para esquiar, mas já era muito tarde, quase todos os hotéis e só encontraram um lugar vago. Como não tinha outro jeito, os três resolveram dividir a mesma cama por uma noite. No dia seguinte, o homen que dormiu no lado esquerdo falou:
- Gente eu sonhei que tinha uma mulher mo gostasa segurando o meu pau!
O que dormiu do lado direito falou:
- Ué! eu tive um sonho igual!!
O do meio falou:
- Engraçado, eu meu sonho foi diferente. Eu sonhei que estava esquiando...
Um Presente e Tanto
Dois amigos conversando:
- Sabe o que eu dei de aniversário pra minha mulher?
- Claro que não, né! - respondeu o amigo, impaciente - O que você deu?
- Um anel de brilhantes!
- Caramba! Você deve ter gasto uma fortuna! Por que você não deu uma coisa mais barata pra ela? Uma TV, por exemplo!
- Tá louco? Onde é que eu ia arrumar uma TV falsa?Fonte/Autor: Maskate
Na sala de aula, o professor pergunta à garota:
- Dorotéia, você sabe com quantos paus se faz uma canoa?
- Bom, canoa eu não sei, mas tenho uma amiga que com um só, conseguiu apartamento, casa e carro importado!
Se Acabando na Bala
Dois amigos se encontram:
— Cara, você não sabe...
— Não sei mesmo! Você ainda não me contou!
— Eu tava lá na vila... E a molecada se atacou na bala!
— Na bala? Mas por que isso?
— É que acabou o chiclete!
Segredos
Três amigos saem de noite e, depois de muitas rodadas de bebida, um deles sugere que cada um conte algo que nunca contou para ninguém.
— Tudo bem - diz o primeiro -, eu nunca contei pra ninguém que sou homossexual.
O segundo confessa:
— Eu estou tendo um caso quentíssimo com a mulher do meu chefe.
— Bom - começa o terceiro -, eu não sei como dizer isso...
— Ah, não fique sem jeito - encorajam os amigos.
— Bem... eu não consigo guardar segredos.
Só Menti Três Vezes
Na minha vida toda eu só menti 3 vezes! — garantiu o sujeito a uma garota, no bar.
Minutos depois, um amigo, que tinha ouvido, se encontra com ele no banheiro e pergunta:
— Adolfo! É verdade que você só mentiu 3 vezes na vida, cara?
— Com essa maluquice que eu falei agora a pouco, são quatro!
Sonhos Estranhos
Um cara contava o seu sonho para um amigo:
- Seguinte, Luís... Era o dia do meu aniversário e eu estava fazendo 13 anos. Procurei a minha mãe e pedi o meu presente. Ela sorriu, me deu um dinheiro e disse para eu ir ao parque de diversões e eu fui mesmo.
- Gozado, também tive um sonho estranho. Eu estava dormindo quando uma loiraça e uma morenona me acordaram fazendo as maiores carícias e eu não sabia o que fazer com as duas ao mesmo tempo.
- Ué, por que não me chamou?
- Cara, eu chamei! Eu telefonei, mas sua mãe disse que você tinha ido ao parque de diversões.
Sou da Paz
Um amigo conta ao outro:
— Estou com 50 anos e não tenho nenhum inimigo vivo.
— Nossa! — exclama o amigo — E como você conseguiu isso?
— Matei todos!
Transando com Todas
Dois homens bebem num bar:
- Nunca transei com minha mulher antes do casamento. E você?
- Não me lembro... Qual é mesmo o nome dela?
Três Amigos
Aqueles três amigos tinham acabado de chegar na cidade para esquiar, mas já era muito tarde, quase todos os hotéis e só encontraram um lugar vago. Como não tinha outro jeito, os três resolveram dividir a mesma cama por uma noite. No dia seguinte, o homen que dormiu no lado esquerdo falou:
- Gente eu sonhei que tinha uma mulher mo gostasa segurando o meu pau!
O que dormiu do lado direito falou:
- Ué! eu tive um sonho igual!!
O do meio falou:
- Engraçado, eu meu sonho foi diferente. Eu sonhei que estava esquiando...
Um Presente e Tanto
Dois amigos conversando:
- Sabe o que eu dei de aniversário pra minha mulher?
- Claro que não, né! - respondeu o amigo, impaciente - O que você deu?
- Um anel de brilhantes!
- Caramba! Você deve ter gasto uma fortuna! Por que você não deu uma coisa mais barata pra ela? Uma TV, por exemplo!
- Tá louco? Onde é que eu ia arrumar uma TV falsa?Fonte/Autor: Maskate
Roubo de eletricidade em Manaus

São vários os flagrantes de desvio de energia elétrica para residências na cidade de Manaus. A prática é um crime tipificado no art. 155 do Código Penal com pena prevista de 1 a 4 anos de reclusão e multa. Ainda assim é comum encontrar várias ligações clandestinas nos postes da cidade.
A maior parte das ligações clandestinas encontra-se em bairros periféricos e nas ocupações irregulares, as famigeradas “invasões”, onde os ocupantes se utilizam deste expediente enquanto não são realizadas as obras de infra-estrutura no local. Entretanto, e um ledo engano achar que só nos rincões distantes e incíveis se hão de encontrar os bichanos sugadores da eletricidade, nos bairros mais tradicionais de Manaus, incluindo o Centro, a Alvorada e a Aparecida, também se vêem às centenas as ligações irregulares. Dados da Agencia Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, indicam que 15% da energia elétrica do Brasil seja roubada, o que ocasiona um prejuízo de cinco bilhões de Reais por ano. Outro dado interessante é a proliferação dessa prática nos bairros nobre, um levantamento recente apurou que 60% da energia elétrica roubada abastece mansões e fábricas. Os “Gatos de Madame” são muito mais vorazes que os similares pobres.
Perigo para eletricistas amadores
Muitos registros de acidentes envolvendo pessoas eletrocutadas quando tentava colocar “gatos” para abastecer as suas casas já foram anotados nos pronto-socorros da cidade. O perigo é muito grande para estes eletricistas de faz de conta que trabalham sem nenhum equipamento de segurança. Das mortes por eletrocussão ocorridas este ano a maioria envolvia acidentes em invasões ocorridos quando um gatófilo tentava plantar um miau na rede pública de distribuição de eletricidade.
Outras eletrocussões ocorreram quando larápios tentavam roubar cabos elétricos para vender aos ferros-velhos. Esta prática também é criminosa e prejudicial à sociedade, pois deixa muitas residências sem abastecimento até que os cabos roubados sejam recolocados pela Manaus Energia.
A única hipótese, hoje aceita pela justiça que não constitui crime de roubo de energia elétrica é a ligação de energia realizada em residência que não possui ainda abastecimento de energia mas tem um morador gravemente doente ou uma parturiente. Ainda assim cabe lembrar que desviar energia elétrica é crime e é perigoso para a sociedade.
Fonte/Autor: Maskate
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Heróis em evolução

Já vou avisando: esta é, pelo menos em parte, uma coluna sobre a série televisiva Heroes. Aos que porventura achem esquisito ou despropositado abordar esse tema num espaço dedicado à biologia evolutiva, gostaria de contar um segredinho que anda cada vez menos bem guardado. Ao contrário do que às vezes tentam nos fazer acreditar na escola, a ciência depende só em parte de dados coletados de forma exaustiva, análise fria e imparcialidade. A boa ciência também é boa narrativa, como uma série de TV de sucesso ou um arco de histórias clássico de quadrinhos. Os fatos, meus caros, não falam por si sós, especialmente quando são complicados – e uma narrativa coerente que seja capaz de amarrá-los é uma ferramenta indispensável para que a realidade, afinal, faça sentido.O que nos leva de volta à saga de Hiro, o japonês que manipula o espaço-tempo, Claire, a cheerleader indestrutível, e companhia. Qualquer telespectador com um mínimo de boa vontade, mesmo que torça o nariz para o gênero super-heróico, provavelmente vai admitir que as peripécias de Heroes têm coerência interna, e das boas. A questão em jogo aqui é outra. Afinal de contas, o pano de fundo da série (e que muitas vezes vai parar em primeiro plano) é a evolução humana, e a evolução da vida de forma geral. Até que ponto ela faz jus à história que a biologia moderna tem contado sobre tema tão espinhoso?Deus me livre de querer bancar o pitbull de Darwin, rosnando para toda e qualquer incoerência da trama, até porque isso não teria a menor graça. Nos parágrafos a seguir, é claro que vou falar das escorregadas científicas de Heroes, mas também gostaria de argumentar que o cenário do seriado é, ao mesmo tempo, mais e menos grandioso do que o revelado pela história da vida na Terra. E que, apesar das bobagens aqui e ali, ele captura o que talvez seja o essencial: como esse processo é digno do nosso assombro e da nossa admiração.Afirmações extraordinárias exigem provas extraordinárias. Portanto, sem mais delongas, vamos à cena. Antes disso, aviso aos navegantes: o texto a seguir contém SPOILERS! O gene do vôoSuspeito que muita gente que assiste a série ache o geneticista Mohinder Suresh, responsável pelos momentos mais filosóficos da trama, um mala sem alça. Mas convenhamos, há que se respeitar um indiano com um inglês tão bom e que, ainda por cima, tem coragem de usar termos como “marcador genético” em pleno horário nobre. Suresh é filho de um outro geneticista, Chandra, assassinado pelo vilão Sylar. Chandra Suresh tinha como obsessão rastrear os humanos superpoderosos cuja existência ele próprio tinha previsto, usando dados do Projeto Genoma Humano. (Tá bom, o Projeto Genoma Humano só estudou o DNA de um punhadinho de indivíduos, que não chegariam nem perto de completar o número de personagens principais da trama, quanto mais os 30 e tantos rastreados pelo pesquisador indiano. Abstraia.) Lá pelas tantas, no livro no qual Chandra Suresh descreve sua tese ousada sobre a existência de pessoas com poderes especiais, aparece a frase: “Em meio a tantos genes, deve existir um com potencial para o vôo humano”. Essa talvez seja a maior mancada do retrato que Heroes faz da evolução – uma visão enganosa que já foi usada como arma mais de uma vez por opositores desinformados (ou desonestos, ou as duas coisas) da teoria evolutiva.O argumento desses sujeitos pode ser caricaturado mais ou menos assim: se a evolução acontece o tempo todo, por que os macacos ainda não viraram gente? Ou por que nós ainda não aprendemos a voar, ou a respirar debaixo d'água? Afinal, qualquer modificação que permitisse a um ser humano realizar esse tipo de feito seria uma vantagem e tanto. Cadê ela?O fato de que as mutações que funcionam como combustível da evolução são casuais (“aleatórias” é o termo mais exato), não tendo ocorrido, portanto, nenhuma que nos desse o potencial para voar ou bancar o Príncipe Submarino, é só parte da resposta. A outra, e provavelmente a principal, é que os corpos dos seres vivos não precisam só se adaptar ao ambiente em que vivem para alcançar o sucesso evolutivo: precisam também se adaptar a si próprios.Isso porque talvez o gargalo mais estreito por onde os organismos precisam passar, a triagem mais dura imposta pela seleção natural, que deixa sobreviver apenas as combinações genéticas bem-sucedidas, é nascer – e nascer direito. Antes de enfrentar o ambiente externo, cada criatura precisa de um organismo cujas partes funcionam em harmonia. As modificações têm, quase sempre, um efeito em cascata: não é possível alterar uma peça sem afetar, de alguma forma, todas as outras, de forma que, a cada passo, as inovações mais radicais tendem a resultar em desastre.Na prática, isso significa que é um bocado difícil “começar de novo” em termos evolutivos. Uma vez que um caminho é “escolhido” (com muitas aspas, já que decerto não existe decisão consciente aqui), todo o futuro de uma linhagem fica restringido por seu passado. Imagine, por exemplo, quão vantajoso seria para as baleias e golfinhos, tão parecidos com os peixes em vários aspectos, “reaprender” a respirar debaixo d'água. Seria o desastre dos desastres para a indústria baleeira, que só consegue caçar porque suas presas precisam voltar à tona para respirar de quando em quando.Bem, faz pelo menos 50 milhões de anos desde que os tataravós das baleias voltaram para a água, mas as brânquias não reapareceram – nem vão reaparecer, arrisco-me a afirmar. Mas há uma restrição ainda mais sutil. Dizem que os ictiossauros, répteis aquáticos da Era dos Dinossauros, eram quase golfinhos à frente de seu tempo, apresentando um design incrivelmente parecido com os modernos primos do Flipper. No entanto, se fosse possível colocar ambos os tipos de bicho nadando lado a lado, seria moleza, depois de pouco tempo, dizer quem é quem. O truque? O jeito de nadar. Pois os golfinhos, cujos ancestrais eram mamíferos terrestres de patas eretas, balançam a cauda de cima para baixo, tal como nós andamos – ao contrário dos peixes atuais e dos antigos ictiossauros, que abanavam o rabo lateralmente, como um lagarto ou cobra coleando o corpo.DestinoOutra imagem poderosa (e provavelmente mais adequada) que a série evoca é a da imprevisibilidade do processo evolutivo – a de que uma espécie aparentemente comum, sem nenhuma vantagem clara sobre os demais competidores do jogo da vida, pode acabar assumindo uma posição de grandeza impensável.Mais uma vez, isso pode parecer balela quando a teoria da evolução é retratada de forma caricatural – aquele velho papo de “só os mais fortes sobrevivem”. No entanto, o que a história da vida no planeta parece revelar é que as grandes reviravoltas muitas vezes têm pouco a ver com a vitória das criaturas que seriam as mais bem-sucedidas em condições normais de jogo, com o gramado do estádio sequinho e bem aparado.Explicando a metáfora futebolística: durante muito tempo os paleontólogos gostavam de imaginar que os dinossauros foram destronados pelos mamíferos por serem lerdos, estúpidos, de cérebro de ervilha. Tudo indica, porém, que o fim deles, assim como várias das mudanças substanciais na composição biológica da Terra, foram eventos essencialmente aleatórios e catastróficos – feito a queda do asteróide que acertou o golfo do México há 65 milhões de anos.Quem escapa desse tipo de catástrofe talvez – veja bem, talvez – tenha conseguido sobreviver por possuir as características necessárias para agüentar tempos difíceis. Mas não há garantia nenhuma de que essas mesmas características fizessem dos sobreviventes um grande sucesso numa competição “limpa”. E, no caso de dinossauros e mamíferos, os indícios que chegaram até nós sugerem exatamente o contrário. Existe, em outras palavras, um elemento de imprevisibilidade irredutível nessas grandes viradas.Como já deve ter dado para antever, isso nos remete a outra palavrinha que está por toda parte em Heroes, mesmo quando não é pronunciada: destino. Era nosso destino criar uma civilização global que hoje monopoliza os recursos da Terra, assim como era o destino do pacato Hiro virar um herói?A imensa maioria dos biólogos evolutivos tende a ver, na própria violência encarnada pelas grandes mudanças na história da vida, uma resposta negativa. Não haveria progressão discernível na sucessão majestosa, mas caótica, de seres vivos na terra, no mar e no ar. Teríamos chegado até aqui por um golpe de sorte quase inacreditável, mas uma nova catástrofe poderia pôr tudo a perder. Nosso castelo civilizacional pode parecer inexpugnável, mas é feito de areia, e as ondas do mar cósmico um dia vão alcançá-lo.Esse, claro, é um jeito de encarar as coisas. No fundo, qualquer pronunciamento sobre o significado ou o propósito da nossa jornada por aqui está fora do alcance da ciência. Por isso, eu gostaria de deixar o destino de lado e terminar esta conversa com outro tema de Heroes que é caro ao coração humano: responsabilidade.Seja lá por que motivos, os quase 4 bilhões de anos de evolução neste planeta fizeram de nós uma espécie que, nos seus melhores momentos, consegue transcender qualquer suposto imperativo para triunfar à custa dos outros. A capacidade para a compaixão, o impulso para conceber os outros seres humanos como igualmente importantes e valiosos, vai muito além do exemplo dos heróis da ficção ou da vida real. Conseguimos conceber a vastidão da aventura biológica que nos trouxe até aqui, os riscos e as oportunidades que ela guarda, e como ela é bela, apesar de terrível. Talvez essa capacidade não seja tão boa quanto um superpoder – mas pode muito bem ser o suficiente.------------------Um rápido pós-escrito: registro aqui meu agradecimento caloroso a Michael Shermer, da revista Scientific American, por ressaltar o valor narrativo da ciência de primeira linha em um texto recente.
Questão de sorte

Se você precisa de alguém para jogar quantidades monumentais de esterco no ventilador, James “Honest Jim” Watson costuma ser o homem ideal para o serviço. Na semana que passou voltamos a ter abundantes motivos para assim classificar esse vencedor do Nobel e co-descobridor da estrutura do DNA, com seus 79 aninhos (mas corpinho de 78 e cabecinha de, bem, uns 150). A não ser que você tenha passado os últimos dias em Marte, deve ter ficado sabendo do bafafá. O americano Watson foi manchete no mundo inteiro ao declarar a um jornal britânico que os problemas sociais e econômicos da África poderiam ser explicados, em parte, por uma possível diferença inata de inteligência entre os africanos e o resto da população mundial, e que qualquer um que já tivesse lidado com empregados negros sabe que eles não são lá muito espertos. (Estou parafraseando, mas me atendo de perto ao conteúdo do que ele disse.)Não tem nada de muito novo no que Watson vomitou, infelizmente. Digo isso de coração partido, mas o nascimento da genética como ciência, no fim do século 19 e começo do século 20, esteve muito ligado a idéias racistas e à defesa da eugenia, e é bem possível que Watson esteja apenas falando como alguém que se insere dentro dessa tradição intelectual, e não como alguém particularmente preconceituoso ou malevolente. A questão é: por mais politicamente incorreto que Honest Jim seja, ele tem alguma base científica para dizer o que está dizendo?Creio que, se pesarmos o melhor conjunto possível de evidências, a resposta é um “não” de estourar os tímpanos. Mas não pretendo seguir o caminho tradicional para apoiar essa idéia. Esta coluna não é sobre a dificuldade de medir inteligência com critérios numéricos (em resumo: o QI é uma farsa). Não é sobre a falta de controle em experimentos com humanos (inclusive os eticamente complicados, do tipo forçar uma família branca a criar um negro e uma negra a criar um branco e então comparar os resultados). Não quero abordar nem mesmo o impacto de fatores ambientais e econômicos, e até o do ambiente uterino diferenciado, no desenvolvimento da inteligência. A minha cotovelada em Watson vai por outro caminho e tem três bases: formato dos continentes, agricultura e pecuária.Acredite: do ponto de vista científico, essas coisas ajudam muito mais a explicar porque brancos e asiáticos do Extremo Oriente (e não negros ou indígenas) são os grupos étnicos mais poderosos do mundo hoje do que as intermináveis tabelas de testes de QI das quais Watson tanto gosta. Temos razões um bocado boas para achar que acidentes da biogeografia da Terra, e não alguma vaga superioridade intelectual nascida dos genes, transformaram alguns povos em dominadores e outros em dominados. Com o perdão da expressão, não foi mérito – foi puro rabo mesmo. Sementes – e cascos – da vitóriaMeu guru nessa visão subversiva da saga humana é o biogeógrafo americano Jared Diamond, da Universidade da Califórnia em Los Angeles. Com seus alertas sobre os riscos da degradação ambiental para a humanidade, o último livro de Diamond, “Colapso”, andou fazendo sucesso. Mas sua melhor obra continua sendo mesmo “Armas, Germes e Aço”, que por coincidência está fazendo dez anos de publicação. No livro, Diamond faz a mãe de todas as perguntas quando se trata de história: porque algumas civilizações triunfam e outras são esmagadas?A resposta “proximal”, ou seja, a que engloba as causas mais imediatas do triunfo civilizacional, está no título do livro, e não é preciso ser o gênio da lâmpada para formulá-la. Os povos que triunfaram tinham melhor armamento, transmitiam doenças mais ferozes e contavam com melhor tecnologia. Os portugueses tinham espadas de aço, caravelas, canhões e a varíola (entre outras delícias do mundo microbiano); os tupinambás só contavam com flechas e tacapes e não tinham uma epidemia que prestasse para transmitir. “Dã”, diria você. Por sorte, Diamond não se limita à resposta proximal. “OK”, pergunta-se ele, “quais foram as causas últimas que fizeram com que só alguns povos tivessem tudo isso? Como foi possível 'semear' armas, germes e aço ao longo da história?”Anote estas três palavrinhas: “produção de alimentos”. Epidemias malvadonas, tecnologia, sociedades altamente organizadas e eficientes e armas letais são claramente o resultado, em última instância, da capacidade de produzir alimentos numa escala bem mais elevada do que a natureza, sem uma mãozinha humana, é capaz de providenciar. As sociedades que foram as pioneiras em desenvolver ou adotar a agricultura e a criação de grandes animais domésticos tiveram, portanto, uma vantagem inicial que foi se tornando cada vez mais difícil de suplantar.Não é difícil entender o porquê disso. Até cerca de 12 mil anos atrás, não havia uma única sociedade no planeta que dependesse da produção de alimentos para sobreviver. Éramos todos caçadores-coletores, um modo de vida que ainda existe entre tribos isoladas da Amazônia, da África Equatorial e da Nova Guiné. Em muitos aspectos, a vida de caçador-coletor era mais equilibrada e menos estressante do que a dos agricultores e pecuaristas pré-modernos, mas ela tem uma desvantagem óbvia: os recursos naturais não-cultivados, em geral, alimentam muito menos gente por hectare. Enquanto só 0,1% da biomassa de um ambiente natural costuma ser comestível para seres humanos, a agropecuária pode fazer esse potencial subir para 90%.Mais comida por hectare significa mais gente por hectare. Qualquer tribo de agricultores primitivos levava, portanto, uma vantagem demográfica indiscutível sobre seus vizinhos que ainda viviam da caça e da coleta. E a densidade de gente tem outros fatores secundários ainda mais promissores. O excedente da produção podia “libertar” boa parte da população da necessidade de cultivar pessoalmente sua própria comida. Alguns podiam virar artesãos, outros sacerdotes – e os mais espertalhões poderiam montar a primeira pirâmide social da história, virando chefes.Especialização cultural e tecnológica e hierarquização da sociedade são, portanto, alguns dos frutos de segunda estação da vida pós-agricultura. Há mais, porém. Criar animais no mundo pré-moderno significa um contato muito próximo com os bichos. Esse contato permitiu a transmissão de microrganismos das vacas, ovelhas, cabras e cavalos para nós – micróbios que são os ancestrais das piores doenças infecciosas da história, como a varíola, a tuberculose, a gripe e o sarampo. A população densa de humanos possibilitou que essas doenças virassem as primeiras epidemias assassinas – antes, um surto de doença não tinha como viajar a grandes distâncias, porque a baixa densidade demográfica dos caçadores-coletores efetivamente barrava a transmissão epidêmica de um grupo a outro. Agora, porém, os microrganismos tinham uma vasta colheita humana a ceifar.Ao longo do tempo, porém, as tribos de agricultores tendiam a desenvolver resistência às epidemias – quando não tinha imunidade morria, e quem sobrevivia passava essa imunidade a seus descendentes. De quebra, os bichos domésticos também puxavam arados que aumentavam a eficiência agrícola, melhoravam a qualidade da dieta, forneciam couro e outras matérias-primas e ainda funcionavam como tanques de guerra, como no caso dos cavalos. Quem tem e quem não temTudo isso parece bastante lógico, como você deve ter admitido. Mas ainda persiste um problema óbvio. No Oriente Médio e na China, a domesticação de plantas e animais aconteceu há cerca de 10 mil anos, e demorou poucos milhares de anos para se espalhar pela Europa toda e por grande parte da Ásia. Na América, porém, esse evento só veio há pouco mais de 5.500 anos; na África, há uns 7.000 anos; e a Austrália só passou a ser cultivada no século 18, com a chegada de colonos europeus. Por que o atraso? Por que a dificuldade? Será que os povo não-eurasiáticos sofriam de algum tabu cultural para abandonar a caça e a coleta, ou simplesmente eram burros demais para ter essa idéia logo?Tudo indica que não é nada disso. Acontece que, por sorte ou azar, algumas regiões do mundo simplesmente foram dotadas pela evolução com um número desproporcionalmente maior de espécies vegetais e animais que já estavam “pré-adaptadas” para a domsticação, digamos assim.Comecemos pelas plantas. Os primeiros vegetais a serem cultivados no Oriente Médio são cereais anuais, ou seja, que podem ser colhidos com abundância todos os anos – não era preciso plantar uma árvore e esperar um tempão de barriga vazia antes que ela desse frutos. Também são plantas com alto teor calórico e uma quantidade boa de proteína, como é o caso do trigo. Finalmente, são capazes de polinizar a si mesmas, o que facilita a produção. E possuem grãos relativamente grandes, o que faz valer mais a pena recolhê-las na natureza. Bem, acontece que há uma brutal desigualdade na distribuição das plantas com essas características ideais ao redor do globo. Um estudo que catalogou as 56 espécies de gramíneas selvagens com as maiores sementes do planeta mostrou que nada menos que 38 delas estão na região do Mediterrâneo (32 desse total) ou no Extremo Oriente. É uma lavada absurda, quando se considera que todo o continente americano tem só 11 dessas espécies na natureza, a África abaixo do Saara só quatro e a Austrália só duas. Os antigos mesopotâmios e chineses simplesmente tinham mais matéria-prima para trabalhar quando suas sociedades ficaram prontas para partir para a agricultura.O mesmo cenário, aliás, repete-se no caso dos grandes mamíferos – bichos com mais de 50 kg que se tornariam a base das civilizações antigas, como vacas, cabras, ovelhas e cavalos. Desses bichos, a Europa e a Ásia tinham 72 espécies, a África Subsaariana 51, as Américas 24 e a coitada da Austrália, apenas uma espécie. A maior variedade simplesmente multiplicou as chances de que os antigos eurasiáticos achassem mamíferos que se prestam à domesticação – bichos cujos ancestrais selvagens eram relativamente pouco agressivos, com uma hierarquia social que podia ser cooptada pelos humanos, capazes de viver em confinamento relativo, de crescimento relativamente rápido e dieta não muito exigente. De novo, sorte pura.“OK”, você poderá dizer, “tudo isso explica por que a China e o Oriente Médio criaram civilizações antes das Américas e da África abaixo do Saara. Mas não por que os europeus acabaram se tornando historicamente dominantes?” Mais uma vez, o acaso geográfico interveio em favor dos habitantes da Europa. Pegue um mapa da Europa e da Ásia e compare com os mapas das Américas e da África. Repare no eixo predominante das distâncias – na Eurásia, o comprimento é maior de leste a oeste, enquanto o continente americano e o africano são mais compridos de norte a sul. E isso pode ter feito toda a diferença.Eu explico: numa faixa imensa, que vai de Portugal no oeste ao Japão no leste (com algumas interrupções causadas por montanhas e desertos, é verdade), a latitude é a mesma, e portanto a maioria das variáveis do clima e da duração das estações também. Isso significa que os europeus não tiveram a menor dificuldade de simplesmente importar o pacote pronto de animais domésticos e culturas agrícolas do Oriente Médio, e pelo menos parte desse pacote também pode se difundir para o leste – afinal, plantas e animais não precisavam se adaptar a climas fundamentalmente diferentes dos de sua região nativa.Compare essa situação relativamente fácil com o que acontece nas Américas, por exemplo. Plantas e animais precisavam atravessar um imenso gradiente de latitudes e climas para circular pelo continente. Embora isso não tornasse as coisas impossíveis – afinal, o milho do México acabou sendo cultivado tanto pelos índios brasileiros quanto pelos povos do leste dos atuais Estados Unidos –, atrapalhava um bocado. O único mamífero de grande porte domesticado no nosso continente, a lhama, nunca deixou os confins de seu habitat andino para carregar mercadorias em seu lombo em outros lugares.As barreiras diretas para plantas e animais acabavam se convertendo em barreiras indiretas para culturas, tecnologias e idéias. Para dar um exemplo simples, os Reis Católicos da Espanha, Fernando e Isabel, não só financiaram a viagem de Colombo como sabiam muito bem que Constantinopla era governada pelos turcos. Já o Império Inca do Peru e o Império Asteca do México muito provavelmente não tinham a menor idéia da existência um do outro. A conectividade proporcionada pelo eixo continental leste-oeste da Eurásia provavelmente é um dos fatores-chave para o rápido intercâmbio e competição de bens e idéias que fez da região o principal celeiro de inovação tecnológica e cultural da história humana. Os europeus tiveram a sorte de estar posicionados perto dos grandes centros de origem da produção de alimentos e de contarem com um ambiente natural ao mesmo tempo favorável à revolução agropecuária e menos vulnerável que o do Oriente Médio, onde a degradação ambiental logo atrapalhou os frutos da agricultura.E, assim, foi com o trigo da Mesopotâmia, os cavalos do mar Negro, o ferro dos assírios e a pólvora chinesa que os brancos conseguiram sua supremacia mundial. A coisa poderia ter sido diferente? Sem dúvida. O imperador chinês decidiu que não queria mais viagens transoceânicas de sua frota no século 15, impedindo que os orientais alcançassem muito antes a preponderância que ameaçam assumir hoje. De qualquer maneira, que a multidão de dados empíricos e bem-costurados acima sirva de lição para quem busca soluções fáceis para explicar a situação lastimável dos povos não-brancos hoje. A derrota deles não teve absolutamente nada a ver com inteligência inata. E usar um argumento desses para se vangloriar é um desserviço ao passado e, principalmente, ao futuro. ------Meu pós-escrito, desta vez, é um convite à leitura do soberbo “Armas, Germes e Aço”. Se você acha que a história é só um fato depois do outro, abra esse livro e surpreenda-se.
Ômega

Dizem por aí que uma idéia consegue cativar as pessoas porque ela faz sentido, mas isso me parece uma simplificação grosseira (ou uma racionalização ruim, ou as duas coisas) do que realmente acontece na nossa cabeça. As idéias verdadeiramente poderosas nos conquistam pela sua capacidade de nos agarrar pelo colarinho. Elas descortinam uma visão de beleza diante dos nossos olhos e, num estalo, mesmo que não queira, a nossa mente se rende. “É claro! Mas é claro que é assim que as coisas funcionam no mundo”, dizemos. Das idéias que são capazes dessa proeza, duas das mais fortes são a fé cristã e a teoria da evolução. Para muita gente, elas estão em guerra perpétua, e nenhuma pode triunfar enquanto a outra existir. Mas não para John F. Haught. E ele quer mais do que um armistício – quer nada menos que uma unificação.Haught, um teólogo católico da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos, diz que o cristianismo adotou, no último século e meio, a postura errada em relação às descobertas de Darwin e das gerações de biólogos evolucionistas que se seguiram a ele. Aliás, as posturas, no plural. As reações da religião ao darwinismo podem ser, grosso modo, divididas em duas categorias, segundo ele. Uma é a de recusa violenta – para os fundamentalistas, a narrativa bíblica da criação é verdade literal, e qualquer tentativa de subvertê-la é uma ameaça à própria fé. A outra é criar uma espécie de cordão sanitário entre os domínios da religião e da ciência – não há contradição entre uma coisa e outra, e nem pode haver, porque cada uma lida com aspectos separados da realidade, o mundo natural e o mundo sobrenatural.Para Haught, a separação amistosa entre fé e ciência pode funcionar como estratégia política. Mas, no longo prazo, pode começar a soar como covardia. Afinal, o discurso de quem usa o darwinismo como “prova” da inexistência de Deus, ou pelo menos da falta de preocupação dele com o mundo vivo, aponta fatos que poderiam ser considerados, de forma legítima, como um desafio à idéia de um Deus que ama sua criação e se preocupa com ela.De forma muito resumida, os darwinistas antirreligiosos, como o zoólogo britânico Richard Dawkins, da Universidade de Oxford, apontam que a teoria da evolução revelou milhões de anos ininterruptos de sofrimento aparentemente sem sentido no mundo vivo. Em vez de um mundo criado por Deus, no qual tudo funciona de forma harmônica e benevolente, a vida no mundo darwinista está assombrada pelo desperdício, pela deformidade, por um sistema aleatório de tentativa e erro. Nenhum Deus digno desse nome – e certamente não o Deus de Jesus Cristo – criaria uma espécie de vespa cujas larvas devoram lagartas vivas por dentro conforme crescem, tomando cuidado para não afetar órgãos vitais. Nenhum Deus permitiria que o Holocausto acontecesse.Haught reconhece que esses darwinistas radicais têm aí um argumento forte. Mas sua estratégia de contra-ataque é abraçar de vez o inimigo. Para ele, uma teologia cristã realmente profunda e “adulta” precisa se transformar, incorporando o que Darwin trouxe de valioso.Um Deus humildeA chave para a releitura teológica de Haught está numa das passagens mais belas do Novo Testamento, um hino a Jesus na Carta de São Paulo aos Filipenses. Nela, o mistério de Cristo deixando de lado sua condição divina para virar homem é assim descrito: “Esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de servo e tornando-se semelhante aos homens”. Em grego, “esvaziamento” é kenosis, e é na kenosis de Cristo que o teólogo vê a chave para o mistério de Deus num cosmos como o nosso, onde a evolução da vida acontece.A fé cristã mostra, para Haught, que Deus não desejava um Universo que fosse seu escravo, uma marionete que ele tivesse de conduzir o tempo todo. O amor de Deus por sua criação exigiria, segundo o teólogo, que Ele se esvaziasse de seu poder divino, tal como Cristo o faria na cruz, e deixasse o Universo florescer de forma livre, mesmo que a dor fosse uma parte inseparável dessa liberdade e desse florescimento.É usando esse raciocínio que o teólogo americano retoma um outro pensador que buscou unir fé e evolução: o jesuíta e paleotólogo francês Pierre Teilhard de Chardin (1881-1955). Chardin costumava dizer que, após Darwin, Deus precisava deixar de ser visto apenas como Alfa (o começo de tudo) e mais como Ômega (a força para a qual o Universo estava caminhando). Para Haught, ver Deus como o Ômega para o qual a criação está sendo atraída por meio da evolução da vida é quase uma conseqüência lógica da fé judaico-cristã, na qual Deus é sempre a força da promessa do futuro – a promessa de que Abraão, apesar de já velho, teria filhos e seria o ancestral de um povo, a promessa de que Israel teria um Messias, a promessa de que um punhado de judeus radicais, pobres e perseguidos converteriam as nações do mundo em seguidores de Jesus.Por definição, o futuro nunca está pronto. Segundo Haught, a visão de que o Universo e a vida estão em constante evolução é perfeitamente coerente com outra idéia de São Paulo: é a de que o cosmos atual está passando pelas “dores do parto” e “suspira” pela transformação trazida por Deus. Até onde essas idéias são capazes de tocar quem está fechado na sua própria cabeça de fundamentalista religioso ou materialista radical é difícil dizer. De qualquer maneira, elas servem para mostrar que não é preciso renunciar nem aos fatos nem a fé para que as fundações do mundo voltem a fazer sentido. --------As principais idéias de Haught a respeito do impacto teológico da teoria da evolução sobre o cristianismo podem ser encontradas em seu livro “Deus após Darwin – Uma Teologia Evolucionista”. A obra é densa, mas a leitura é recompensadora para todos os que se interessam pelo diálogo entre a ciência e a religião.
domingo, 14 de outubro de 2007
LEIA-ME
Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal. Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar. O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto. Ligou o fonema e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar. Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto. Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros. Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta. Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história. Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino. O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva. **
domingo, 7 de outubro de 2007
Mulher enfurecida danificou veículo

O estudante de Direito, Natan Domingues ,28, teve seu automóvel modelo Siena quebrado por uma mulher, cujo nome ainda é desconhecido, apenas porque havia estacionado próximo ao local de sua casa.
O fato ocorreu por volta das 15h, na rua São Luiz, conjunto Adrianópolis. Segundo o vigilante Jefferson Batista, que presenciou a cena, a mulher parecia descontrolada .
“A casa dela é do lado da Faculdade Esbam (Escola Superior Batista do Amazonas), ela saiu correndo com uma faca, parecia transtornada e começou a furar os pneus do carro do aluno , quebrou o pará- brisas do veículo e ainda começou a bater na porta do carro com o cabo da faca e arranhar os vidros, eu corri dizendo que iria chamar a polícia, pois o rapaz não havia estacionado na frente da sua garagem e sim próximo a sua residência , mais não teve jeito, ela disse que eu poderia chamar que eu quisesse, pois pertencia a família do proprietário de uma emissora de televisão. Alguns alunos estão revoltados e se dizem com medo de estacionar na rua devido a esses acontecimentos. Como é o caso da Estudante, Maria Síglid Santos.
Falta de estacionamento é motivo de problemas
“Já falta estacionamento na Faculdade , com uma mulher dessas solta a situação piora ainda mais, é arriscado ela destruir outro veículos , pois ninguém tem o direito de sair quebrando o carro de ninguém, providências tem que ser tomadas antes que ela prejudique o carro de outros alunos”, declarou Natan, ele chamou a policia e tentou falar com a suposta mulher, mas a mesma não se pronunciou e não quis sair da sua residência alegando que não tinha nada a declarar.
“Já prestei ocorrência na delegacia, e ela vai ter pagar pelo que fez, pois eu não estacionei na sua garagem e mesmo que eu tivesse feito isso ela não tem o direito de quebrar o carro, ela só pode ser louca, mas isso não vai ficar impune , ela vai ter que pagar pelo dano que causou não importa seu grau de parentesco com quem quer que seja, a justiça é para todos.” disse.
O fato ocorreu por volta das 15h, na rua São Luiz, conjunto Adrianópolis. Segundo o vigilante Jefferson Batista, que presenciou a cena, a mulher parecia descontrolada .
“A casa dela é do lado da Faculdade Esbam (Escola Superior Batista do Amazonas), ela saiu correndo com uma faca, parecia transtornada e começou a furar os pneus do carro do aluno , quebrou o pará- brisas do veículo e ainda começou a bater na porta do carro com o cabo da faca e arranhar os vidros, eu corri dizendo que iria chamar a polícia, pois o rapaz não havia estacionado na frente da sua garagem e sim próximo a sua residência , mais não teve jeito, ela disse que eu poderia chamar que eu quisesse, pois pertencia a família do proprietário de uma emissora de televisão. Alguns alunos estão revoltados e se dizem com medo de estacionar na rua devido a esses acontecimentos. Como é o caso da Estudante, Maria Síglid Santos.
Falta de estacionamento é motivo de problemas
“Já falta estacionamento na Faculdade , com uma mulher dessas solta a situação piora ainda mais, é arriscado ela destruir outro veículos , pois ninguém tem o direito de sair quebrando o carro de ninguém, providências tem que ser tomadas antes que ela prejudique o carro de outros alunos”, declarou Natan, ele chamou a policia e tentou falar com a suposta mulher, mas a mesma não se pronunciou e não quis sair da sua residência alegando que não tinha nada a declarar.
“Já prestei ocorrência na delegacia, e ela vai ter pagar pelo que fez, pois eu não estacionei na sua garagem e mesmo que eu tivesse feito isso ela não tem o direito de quebrar o carro, ela só pode ser louca, mas isso não vai ficar impune , ela vai ter que pagar pelo dano que causou não importa seu grau de parentesco com quem quer que seja, a justiça é para todos.” disse.
fonte: maskate
Operação Pé-de-pica estimula a futrica entre Bin e Mazoca
Foi lançada nos bastidores da futrica a Operação denominada Pé-de-Pica para espalhar cizânia entre o neguinho de mamãe, o ex-governador Amazonino Armando Mendes, e seu dileto ex-pupilo e atual vice-governador quase-sempre-em-exercício, Omar Bin Aziz, tentando impedir qualquer descuido de aproximação entre ambos, tendo em vista, obviamente, a disputa eleitoral do ano que vem na direção da prefeitura de Manaus. E outros reluzentes e atraentes carnavais.
Os dicionaristas Aurélio e Houaiss trazem referências indiretas à expressão Pé-de-pica, um regionalismo freqüente no jargão nordestino, notadamente baiano, mas universalmente aceito em todo Vale Amazônico, para descrever o estado beligerante já anotado nos enfrentamentos das mulheres guerreiras com os índios excitados a fim de qualquer coisa que lhes desse prazer e glória, daí, provavelmente, a expressão Amazonino... um aborígene que nada tem de Mau Menino, afinal especular não faz mal a ninguém, meu bem!
Escriba ou fariseu hipócrita?
Tudo começou com a especulação bem humorada, desta redação desocupada para identificar quem seria o provável escriba (ou seria um fariseu hipócrita?) que teria colocado a faca da chantagem no pescoço do Omar Bin Aziz, com ameaças espúrias de denunciar traquinagens de sua excelência, caso não pingasse em seus alforjes de meliante a modesta quantia de trezentos mil... Ô loko, caboco!!! Pelo visto inflacionaram o mercado do achaque e o quilo do jabá eleitoral está custando o olho da cara... Trata-se aparentemente de mais uma presepada de mentes atacadas pela patologia da vagabundagem que assola os botecos e alcovas da fila do desemprego, a nova opção de sobrevivência e molecagem de uma classe em ascensão na tábua sombria de valores do Código da Sacanagem.
Armando por trás
A propósito, segundo Dona Joana Galante, minha santa mãe e personal catimbozeira, o ex-governador Amazonino Mendes, visivelmente esbaforido, aborrecido e amargurado, amaldiçoou as insinuações de um determinado jornal, meio apócrifo meio sensacional, que diagramou uma edição a respeito da investigação “Quem chantageou Omar Aziz?” induzindo o leitor a achar que Amazonino estava atrás da falseta. Ora, assegurou minha mãe, há muito tempo que o Neguinho de Dona Joana não impõe nada atrás de ninguém, nem perde tempo com armações nebulosas, mesmo quando as oportunidades são glamourosas... De Armando basta seu nome e as articulações de parcerias de que precisa sem medo com a assessoria competente de Figueiredo para as disputas eleitorais do ano que vem...
Maná e Alah!
Além de tudo isso, entre quibes e chouriços, com relação ao Beduíno o Negão só tem coisas boas, muito boas a recordar e acalentar, afinal, como dizem os próprios fratelos do dito cujo, todas as chances que tivemos e as esfihas que fabricamos e degustamos passaram pela cozinha generosa do Negão que nunca negou o maná de sua generosidade nem o mel de seu apiário bem fornido e perdulário na travessia do deserto da libertação, ‘tá entendendo, meu irmão? A intriga é rasteira e utiliza uma besteira pra a aproximação se complicar. Não há nada, porém, que consiga fazer prosperar uma briga onde a paz tem tudo pra emplacar...
Cachoeira das almas
.Enquanto isso, extremamente sereno, sabendo que o mundo é pequeno e tem muita água sob a ponte pra rolar, o Negão não vibra com a sacanagem que o Supremo aplicou ao irmão Carlos Souza Coragem.
.O risco, porém de perder o mandato parlamentar federal, não compromete seus planos de conquistar um vice sensacional.
.Por isso aumentou o assédio e os toques de sedução, sabendo que é imbatível a disputa eleitoral com Carlos Souza e Negão.
.Omar, portanto, é motivo de extrema e agradável saudade, pois será governador, depois de tanta probidade e pra soltar a maçaroca, ao lado de seu guru, o prefeito Mazoca...
.Saravá, Gilberto meu pai
DIVERSAS
Fantasmagórico
O escândalo das escolas-fantasma que tiveram o pagamento dos valores contratados devidamente efetuado em favor de três empresas, apesar das obras não existirem envolve as últimas administrações. Escolas que iniciaram suas obras com Alfredo passou por Carijó e Serafim absolutamente não existem. Ao menos é o que confessou o secretário José Dantas Cyrino, no plenário da Câmara Municipal, ao reconhecer publicamente que autorizou o pagamento das obras, quase dois milhões de reais.
Tudo a perder
O atual secretário não mandou ninguém dar uma olhada para checar se as salas de aula estavam de acordo com seu projeto pedagógico. O fato é que o escândalo veio à tona, é assustador, antigo e tem munição para mandar ao espaço o maior patrimônio que o prefeito Serafim amealhou ao longo de toda a vida: sua reputação.
Tiro pela culatra
A publicidade do governo estadual na revista Veja, sobre a nova modalidade do assistencialismo ambiental, o programa Bolsa Floresta, pode ser um tiro pela culatra ao serem reveladas as reais e precárias condições da rede pública de ensino no beiradão. Sem falar nas condições de miséria absoluta que vivem os ribeirinhos.
Vinculação virtual
Vincular a concessão dos R$ 50,00 do Bolsa Floresta à permanência dos alunos em sala de aula pode ser um veto generalizado na absoluta maioria dos municípios ribeirinhos, onde as distâncias e a freqüente ausência de escolas tornam até difícil fiscalizar a iniciativa.
Transporte coletivo
Nem as moscas mudaram nos resíduos sólidos (leia-se lixo!) da licitação da prefeitura que
escolheu os novos responsáveis pela oferta dos serviços de transporte na cidade. As empresas são as mesmas e nada sugere que elas vão modificar a rotina de ônibus precários, sujos e atrasados que atormentam o cotidiano dos usuários do município.
Vacilo popular
O PP acaba de abris as portas para o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, discretamente enxotado do PMDB de Eduardo Braga. Uma filiação que deixou atônita e exasperada grande parte da composição deste partido de tantas glórias, realizações e coerência no Amazonas.
Rebecca
Candidata a prefeita de Manaus com nome limpo e empenhada desde já em identificar e levantar recursos públicos e privados para a solução da tragédia dos transportes em Manaus, para a construção do metrô de superfície, terá que conviver com um companheiro que é campeão nacional na contravenção e na gestão de recursos públicos.
Ninguém merece !!!
· Não nos cabe apreciar as razões do ingresso de Adail Pinheiro no PP de Chico Garcia, com quem o Maskate mantém uma respeitosa e afetuosa relação.
· Nem iremos associar formalmente nossa crítica e denúncia de forma mecânica e sem critérios e fatos.
· Nossas restrições ao prefeito de Coari são as mesmas da sociedade e estão baseadas nos mesmos e alentados processos que investigam escabrosas acusações.
· Isso não significa que mudaremos a priori nossa avaliação positiva da trajetória parlamentar de Garcia e Rebecca, até aqui coberta de acertos e avanços na defesa de nossa gente!
O escândalo das escolas-fantasma que tiveram o pagamento dos valores contratados devidamente efetuado em favor de três empresas, apesar das obras não existirem envolve as últimas administrações. Escolas que iniciaram suas obras com Alfredo passou por Carijó e Serafim absolutamente não existem. Ao menos é o que confessou o secretário José Dantas Cyrino, no plenário da Câmara Municipal, ao reconhecer publicamente que autorizou o pagamento das obras, quase dois milhões de reais.
Tudo a perder
O atual secretário não mandou ninguém dar uma olhada para checar se as salas de aula estavam de acordo com seu projeto pedagógico. O fato é que o escândalo veio à tona, é assustador, antigo e tem munição para mandar ao espaço o maior patrimônio que o prefeito Serafim amealhou ao longo de toda a vida: sua reputação.
Tiro pela culatra
A publicidade do governo estadual na revista Veja, sobre a nova modalidade do assistencialismo ambiental, o programa Bolsa Floresta, pode ser um tiro pela culatra ao serem reveladas as reais e precárias condições da rede pública de ensino no beiradão. Sem falar nas condições de miséria absoluta que vivem os ribeirinhos.
Vinculação virtual
Vincular a concessão dos R$ 50,00 do Bolsa Floresta à permanência dos alunos em sala de aula pode ser um veto generalizado na absoluta maioria dos municípios ribeirinhos, onde as distâncias e a freqüente ausência de escolas tornam até difícil fiscalizar a iniciativa.
Transporte coletivo
Nem as moscas mudaram nos resíduos sólidos (leia-se lixo!) da licitação da prefeitura que
escolheu os novos responsáveis pela oferta dos serviços de transporte na cidade. As empresas são as mesmas e nada sugere que elas vão modificar a rotina de ônibus precários, sujos e atrasados que atormentam o cotidiano dos usuários do município.
Vacilo popular
O PP acaba de abris as portas para o prefeito de Coari, Adail Pinheiro, discretamente enxotado do PMDB de Eduardo Braga. Uma filiação que deixou atônita e exasperada grande parte da composição deste partido de tantas glórias, realizações e coerência no Amazonas.
Rebecca
Candidata a prefeita de Manaus com nome limpo e empenhada desde já em identificar e levantar recursos públicos e privados para a solução da tragédia dos transportes em Manaus, para a construção do metrô de superfície, terá que conviver com um companheiro que é campeão nacional na contravenção e na gestão de recursos públicos.
Ninguém merece !!!
· Não nos cabe apreciar as razões do ingresso de Adail Pinheiro no PP de Chico Garcia, com quem o Maskate mantém uma respeitosa e afetuosa relação.
· Nem iremos associar formalmente nossa crítica e denúncia de forma mecânica e sem critérios e fatos.
· Nossas restrições ao prefeito de Coari são as mesmas da sociedade e estão baseadas nos mesmos e alentados processos que investigam escabrosas acusações.
· Isso não significa que mudaremos a priori nossa avaliação positiva da trajetória parlamentar de Garcia e Rebecca, até aqui coberta de acertos e avanços na defesa de nossa gente!
fonte: maskate
NOSSOS DIAS MELHORES NUNCA VIRÃO?
Ando em crise, numa boa, nada de grave. Mas, ando em crise com o tempo. Que estranho "presente" é este que vivemos hoje, correndo sempre por nada, como se o tempo tivesse ficado mais rápido do que a vida, como se nossos músculos, ossos e sangue estivessem correndo atrás de um tempo mais rápido.
As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.
Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".
Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, da sucessibilidade de momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção de nosso desejo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. Não há tempo para os bichos. Se quisermos manhã, dia e noite, temos de ir morar no mato.
Há alguns anos, eu vi um documentário chamado Tigrero, do cineasta finlandês Mika Kaurismaki e do Jim Jarmusch sobre um filme que o Samuel Fuller ia fazer no Brasil, em 1951. Ele veio, na época, e filmou uma aldeia de índios no interior do Mato Grosso. A produção não rolou e, em 92, Samuel Fuller, já com 83 anos, voltou à aldeia e exibiu para os índios o material colorido de 50 anos atrás. E também registrou, hoje, os índios vendo seu passado na tela. Eles nunca tinham visto um filme e o resultado é das coisas mais lindas e assustadoras que já vi.
Eu vi os índios descobrindo o tempo. Eles se viam crianças, viam seus mortos, ainda vivos e dançando. Seus rostos viam um milagre. A partir desse momento, eles passaram a ter passado e futuro. Foram incluídos num decorrer, num "devir" que não havia. Hoje, esses índios estão em trânsito entre algo que foram e algo que nunca serão. O tempo foi uma doença que passamos para eles, como a gripe. E pior: as imagens de 50 anos é que pareciam mostrar o "presente" verdadeiro deles. Eram mais naturais, mais selvagens, mais puros naquela época. Agora, de calção e sandália, pareciam estar numa espécie de "passado" daquele presente. Algo decaiu, piorou, algo involuiu neles.
Lembrando disso, outro dia, fui atrás de velhos filmes de 8mm que meu pai rodou há 50 anos também. Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi, ou que o Brasil perdeu... Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios. Era um presente atrasado, aquém de si mesmo. A mesma impressão tive ao ver o filme famoso de Orson Welles, It's All True, em que ele mostra o carnaval carioca de 1942 - únicas imagens em cores do País nessa década. Pois bem, dava para ver, nos corpinhos dançantes do carnaval sem som, uma medíocre animação carioca, com pobres baianinhas em tímidos meneios, galãs fraquinhos imitando Clark Gable, uma falta de saúde no ar, uma fragilidade indefesa e ignorante daquele povinho iludido pelos burocratas da capital. Dava para ver ali que, como no filme de minha família, estavam aquém do presente deles, que já faltava muito naquele passado.
Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O "hoje" deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos. Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.
E nós, hoje, nesta infernal transição entre o atraso e uma modernização que não chega nunca? Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso. Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir. Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente.
sexta-feira, 5 de outubro de 2007
OS HOMENS DESEJAM AS MULHERES QUE NÃO EXISTEM
Está na moda - muitas mulheres ficam em acrobáticas posições ginecológicas para raspar os pêlos pubianos nos salões de beleza. Ficam penduradas em paus-de-arara e, depois, saem felizes com apenas um canteirinho de cabelos, como um jardinzinho estreito, a vereda indicativa de um desejo inofensivo e não mais as agressivas florestas que podem nos assustar. Parecem uns bigodinhos verticais que (oh, céus!...) me fazem pensar em... Hitler.
Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas... e sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de "objetos", produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão...) Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus.
O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: "Venham... eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance!..."
Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e todas ostentam uma falsa tesão devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem.
Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.
A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele.
Mas, que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?
Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os "olhos de esmeralda nadando em leite" (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres. Olho-a de minha solidão e me pergunto: "Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos? Onde está ela?" Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: "Seja feia..."
Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação. É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia - foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.
Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet ou nas saunas relax for men, essa réplica moderna dos haréns árabes. Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para serem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam... O anúncio tinha o slogan em baixo: "She needs no food nor stupid conversation." Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.
A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?
texto de Arnaldo Jabor
Silicone, pêlos dourados, bumbuns malhados, tudo para agradar aos consumidores do mercado sexual. Olho as revistas povoadas de mulheres lindas... e sinto uma leve depressão, me sinto mais só, diante de tanta oferta impossível. Vejo que no Brasil o feminismo se vulgarizou numa liberdade de "objetos", produziu mulheres livres como coisas, livres como produtos perfeitos para o prazer. A concorrência é grande para um mercado com poucos consumidores, pois há muito mais mulher que homens na praça (e-mails indignados virão...) Talvez este artigo seja moralista, talvez as uvas da inveja estejam verdes, mas eu olho as revistas de mulher nua e só vejo paisagens; não vejo pessoas com defeitos, medos. Só vejo meninas oferecendo a doçura total, todas competindo no mercado, em contorções eróticas desesperadas porque não têm mais o que mostrar. Nunca as mulheres foram tão nuas no Brasil; já expuseram o corpo todo, mucosas, vagina, ânus.
O que falta? Órgãos internos? Que querem essas mulheres? Querem acabar com nossos lares? Querem nos humilhar com sua beleza inconquistável? Muitas têm boquinhas tímidas, algumas sugerem um susto de virgens, outras fazem cara de zangadas, ferozes gatas, mas todas nos olham dentro dos olhos como se dissessem: "Venham... eu estou sempre pronta, sempre alegre, sempre excitada, eu independo de carícias, de romance!..."
Sugerem uma mistura de menina com vampira, de doçura com loucura e todas ostentam uma falsa tesão devoradora. Elas querem dinheiro, claro, marido, lugar social, respeito, mas posam como imaginam que os homens as querem.
Ostentam um desejo que não têm e posam como se fossem apenas corpos sem vida interior, de modo a não incomodar com chateações os homens que as consomem.
A pessoa delas não tem mais um corpo; o corpo é que tem uma pessoa, frágil, tênue, morando dentro dele.
Mas, que nos prometem essas mulheres virtuais? Um orgasmo infinito? Elas figuram ser odaliscas de um paraíso de mercado, último andar de uma torre que os homens atingiriam depois de suas Ferraris, seus Armanis, ouros e sucesso; elas são o coroamento de um narcisismo yuppie, são as 11 mil virgens de um paraíso para executivos. E o problema continua: como abordar mulheres que parecem paisagens?
Outro dia vi a modelo Daniela Cicarelli na TV. Vocês já viram essa moça? É a coisa mais linda do mundo, tem uma esfuziante simpatia, risonha, democrática, perfeita, a imensa boca rósea, os "olhos de esmeralda nadando em leite" (quem escreveu isso?), cabelos de ouro seco, seios bíblicos, como uma imensa flor de prazeres. Olho-a de minha solidão e me pergunto: "Onde está a Daniela no meio desses tesouros perfeitos? Onde está ela?" Ela deve ficar perplexa diante da própria beleza, aprisionada em seu destino de sedutora, talvez até com um vago ciúme de seu próprio corpo. Daniela é tão linda que tenho vontade de dizer: "Seja feia..."
Queremos percorrer as mulheres virtuais, visitá-las, mas, como conversar com elas? Com quem? Onde estão elas? Tanta oferta sexual me angustia, me dá a certeza de que nosso sexo é programado por outros, por indústrias masturbatórias, nos provocando desejo para me vender satisfação. É pela dificuldade de realizar esse sonho masculino que essas moças existem, realmente. Elas existem, para além do limbo gráfico das revistas. O contato com elas revela meninas inseguras, ou doces, espertas ou bobas mas, se elas pudessem expressar seus reais desejos, não estariam nas revistas sexy, pois não há mercado para mulheres amando maridos, cozinhando felizes, aspirando por namoros ternos. Nas revistas, são tão perfeitas que parecem dispensar parceiros, estão tão nuas que parecem namoradas de si mesmas. Mas, na verdade, elas querem amar e ser amadas, embora tenham de ralar nos haréns virtuais inventados pelos machos. Elas têm de fingir que não são reais, pois ninguém quer ser real hoje em dia - foi uma decepção quando a Tiazinha se revelou ótima dona de casa na Casa dos Artistas, limpando tudo numa faxina compulsiva.
Infelizmente, é impossível tê-las, porque, na tecnologia da gostosura, elas se artificializam cada vez mais, como carros de luxo se aperfeiçoando a cada ano. A cada mutação erótica, elas ficam mais inatingíveis no mundo real. Por isso, com a crise econômica, o grande sucesso são as meninas belas e saradas, enchendo os sites eróticos da internet ou nas saunas relax for men, essa réplica moderna dos haréns árabes. Essas lindas mulheres são pagas para não existir, pagas para serem um sonho impalpável, pagas para serem uma ilusão. Vi um anúncio de boneca inflável que sintetizava o desejo impossível do homem de mercado: ter mulheres que não existam... O anúncio tinha o slogan em baixo: "She needs no food nor stupid conversation." Essa é a utopia masculina: satisfação plena sem sofrimento ou realidade.
A democracia de massas, mesclada ao subdesenvolvimento cultural, parece "libertar" as mulheres. Ilusão à toa. A "libertação da mulher" numa sociedade ignorante como a nossa deu nisso: superobjetos se pensando livres, mas aprisionadas numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de amor e dinheiro. A liberdade de mercado produziu um estranho e falso "mercado da liberdade". É isso aí. E ao fechar este texto, me assalta a dúvida: estou sendo hipócrita e com inveja do erotismo do século 21? Será que fui apenas barrado do baile?
texto de Arnaldo Jabor
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